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23 de setembro 2024

Saúde mental – sobre o exercício da autoempatia

Em 2004, 2005, eu tive algo que hoje sabemos nominar, mas que na época me parecia frescura, ou mesmo fraqueza minha diante das coisas: Burnout.

Na realidade, foi uma mistura de Burnout com início de depressão, pois além da fadiga funcional no trabalho (e também por não me identificar com o que estava fazendo), ainda havia outros pontos de profundo estresse relacionado à saúde de várias pessoas da minha família, muito próximos, e todos acontecendo exatamente no mesmo período.

Mesmo me pegando parado dentro do carro, com ele ligado a 2 quadras de onde eu trabalhava, e sem conseguir ir adiante ou mesmo voltar para casa, eu me culpava pela "fraqueza" de estar sentindo aquele medo todo, misturado com um buraco na alma e a sensação de confusão mental.

Já a alguns bons anos, digo com todas as palavras que naquele momento me faltaram autoconhecimento, autocuidado, autoempatia e protagonismo.

Digo isso porque:

  1. Eu identificava aquela situação como uma fraqueza momentânea minha, e me cobrava para deixar de sentir tudo aquilo pois "eu deveria dar o exemplo de solidez emocional" naquele momento;
  2. Aos poucos, fui me afastando da minha rede de apoio. Ok... boa parte dela estava doentinha na época, mas ainda havia muita gente bacana e importante a quem recorrer;
  3. Eu tinha a visão clara de que não gostava do que fazia, e ainda assim não fazia nada a respeito. Aliás, acabava indo mais cedo e saindo mais tarde do trabalho, justamente para tentar "respirar" dos problemas que eu tinha fora dele. Resumo: eu estava respirando mais veneno como se fosse um remédio;
  4. Demorei MUITO a pedir ajuda. Aliás, demorei tanto que acabei saindo daquele lugar cinzento muito por esforço unicamente meu. Me orgulhei disso por um tempo, até perceber que fiz tudo do modo mais difícil tanto para mim, como para quem estava ao meu lado.

Falamos tanto de Empatia e esquecemos que é fundamental praticarmos a tal Autoempatia, nos respeitando e cuidando profundamente de modo prioritário.

O convite é que tenhamos a sabedoria de reconhecer nossos problemas, prestarmos atenção em como eles nos afetam, e levantarmos nossas bandeiras de ajuda antes que acabe a gasolina do nosso tanque (ou sendo mais moderninho, a carga da bateria!! rssss), pois acreditem, quando acaba o carro para mesmo!

Um desafio adicional pode vir nesse contexto em que somos cada vez mais estimulados a olharmos para os outros de modo humanizado, e podemos nos esquecer do quão fundamental é iniciarmos este olhar com nós mesmos.

Bora nos cuidar, para somente depois podermos cuidar de nossas relações.
Bora adiante!

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